Cicatrizes hipertróficas e queloides

Tanto a cicatriz hipertrófica como o queloide são tumores benignos formados por tecidos fibrosos. Em alguns casos torna-se difícil a diferenciação clínica entre estes dois tipos de cicatriz.

DIFERENÇAS PRINCIPAIS

Cicatriz Hipertrófica

  • Grossa e avermelhada
  • Apresenta coceira e eventualmente dor
  • Não ultrapassa os limites da incisão
  • Para de crescer e regride com o tempo
  • Pode regredir com compressão e massagens
  • Ocorre em todas as raças

Cicatriz Queloideana

  • Muito grossa e violácea
  • Apresenta coceira, dor e ardor
  • Ultrapassa os limites da incisão como um tumor
  • Não regride e continua crescendo
  • Recidiva frequentemente
  • Geralmente não cede a compressão e massagens
  • Mais frequente em negros e asiáticos

Existem algumas regiões do corpo em que o queloide apresenta uma incidência maior:

Máxima: costas, região do esterno.
Acentuada: orelhas, tórax, ombros, abdômen.
Média: região da barba, axilas, púbis, região inguinal.
Mínima: couro cabeludo, membros superiores e inferiores, glúteos.
Zero: terço médio da face, genitais, região lombar, palma das mãos e planta dos pés.

A cicatriz é inevitável na maioria das cirurgias plásticas. O cirurgião deverá usar técnica apropriada para limitá-la a um tamanho menor possível e com a melhor qualidade estética, mas às vezes, isso não é possível. O retoque da cicatriz quando ela estiver hipertrófica pode ser necessário.

O cirurgião não deve operar pacientes com expectativas irreais, do tipo: “Quero operar a mama, mas não quero cicatriz nenhuma”.

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, quando a cicatriz é avermelhada e um pouco grossa, não se trata de queloide mas de cicatriz hipertrófica, que pode melhorar com o tempo e às vezes através de outra cirurgia.
Os queloides são raros, seu tratamento é difícil e as recidivas, frequentes. Alguns tratamentos que podem ser eficazes nas cicatrizes hipertróficas, como: compressão externa com ou sem silicone gel, injeção de cortisona e remoção cirúrgica total, não o são para os queloides. O método mais eficaz para tratá-los é a remoção parcial por cirurgia, com cuidado para não aumentar a área e pode ser associado à radioterapia dentro das primeiras 48 horas.

As pessoas de pele mais escura possuem uma tendência maior a desenvolver queloides que aquelas de pele mais clara. Há também uma história familiar positiva em 5-10% dos europeus que desenvolveram queloides. Os queloides são raros na infância e na velhice, ocorrendo principalmente entre a puberdade e os 30 anos. As mulheres possuem maior tendência, e os queloides podem aumentar durante a gravidez. Uma atitude prudente seria evitar-se qualquer cirurgia eletiva ou a colocação de piercings em pessoas de pele escura, ou que já desenvolveram queloides no passado.

Para evitar ou amenizar o queloide é possível fazer a betaterapia que é uma radioterapia que busca atenuar ou diminuir a produção de colágeno pelos fibroblastos. A utilização da injeção intralesional de corticosteróides em geral produz excelentes resultados.

Pode haver uma certa dificuldade inicial em se injetar o medicamento devido à rigidez das lesões. À medida que estas se tornam menos sólidas e elevadas, a injeção se torna mais fácil.