A Cirurgia Plástica na TV

A Cirurgia Plástica era uma das mais belas áreas da medicina que fascinava as pessoas como a Neurocirurgia e a Cirurgia Cardíaca. Mas a mídia de TV mantém em editorial explorar ao máximo o interesse sobre a beleza e a forma corporal. Ultimamente qualquer absurdo em torno da Cirurgia Plástica é motivo de reportagens ruins, erradas e desonestas. A briga por índices de audiência tem desmoralizado e condenado esta atividade médica.

Programas “marrons”, ou mesmo pequenas reportagens nos telejornais, apresentam a Cirurgia Plástica em matérias policiais e só mostram o que há de pior. Dar voz a uma pessoa doente que “já realizou 19 cirurgias plásticas” é um desserviço total à especialidade. O Transtorno Dismórfico Corporal é uma desordem comprovadamente real e representa grande parte das pessoas que procuram um cirurgião plástico. Infelizmente a Cirurgia Plástica se tornou assunto de celebridades e sub-celebridades. Comerciais de TV ajudam nesta banalização quando colocam o “Fenômeno”perguntando se o emagrecimento foi por “lipo ou na raça”.

O que a TV deveria fazer é ensinar o correto. A cirurgia de lipoaspiração não é dieta e serve para gordura subcutânea localizada. Ela não está indicada para o transtorno dismórfico corporal e estes pacientes nunca ficarão satisfeitos com o resultado. A lipoaspiração não está indicada para pessoas que vão à praia ou a festas e querem estar bonitas. Para eliminar o excesso de gordura corporal cada pessoa deve iniciar uma dieta regrada e ter atividade física regular. Aí sim os depósitos de gordura ficarão evidentes e chegará a hora da lipoaspiração.

Trabalhos científicos estabelecem porcentagens de complicações em cada tipo de cirurgia, e na cirurgia plástica não é diferente. Há hematomas, infecções, cicatrizes ruins e morte, como nas outras especialidades médicas. 1% dos obesos mórbidos morre na mesa de operação. Uma em 10 mil morre após lipoaspiração por tromboembolismo pulmonar. Apenas uma em 100 mil morre por barbeiragem do cirurgião que perfura vísceras na lipoaspiração.

O bom cirurgião é aquele que sabe tratar as complicações. É por isso que são 11 anos de formação para chegar ao título de especialista. Não é desnecessário lembrar que apenas cirurgiões plásticos com Título de Especialista estão capacitados para este procedimento médico.

A cirurgia segura começa na cabeça dos pacientes. Eles devem refletir a real necessidade do procedimento e eles sabem sobre a própria saúde. Qualquer desordem deve adiar cirurgias eletivas com hora marcada. Ainda nas consultas pré-operatórias devem ser tiradas todas as dúvidas e a programação do pós-operatório deve ser esclarecida com seu cirurgião. Não se esqueça dos custos adicionais com medicamentos, com a cinta modeladora, com a drenagem linfática (obrigatória após lipoaspiração) ou mesmo com as complicações.

O que a mídia tem feito é molecagem. Demonizar a Cirurgia Plástica assusta a população. Os bons médicos estão sim aptos a realizarem cirurgias seguras em ambientes seguros. Casos de óbitos em cirurgias plásticas não podem virar palco de Ibope sem limites. Julgar a possibilidade de imperícia, imprudência ou negligência do médico deve vir em primeiro lugar.